quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Defina 'ironia'.



"There's no point to any of this. It's all just a... a random lottery of meaningless tragedy and a series of near escapes. So I take pleasure in the details. You know... a Quarter-Pounder with cheese, those are good, the sky about ten minutes before it starts to rain, the moment where your laughter become a cackle... and I, I sit back and I smoke my Camel Straights and I ride my own melt."

Não acredito nisso, mas é algo que soa bacana de se dizer. Não bacana num sentido de exibição social, mas de autosatisfação. Quando você consegue pensar nestas coisas, nem que seja num momento de autocomiseração, parece que algo faz sentido neste ato de negar o sentido todos os sentidos existenciais. E quais seriam estes sentidos? A cada momento me parece algo diferente, às vezes é o conhecimento que pregava Aristóteles, às vezes é apenas o de chegar em casa para ouvir um disco, ficar feliz e dormir. A primeira vez que assisti o filme da onde retirei esta citação (se interessar, se chama 'Reality Bites') eu não sabia como interpretar aquelas andanças dos personagens, suas dúvidas e medos, mas achei bacana aquele carinha lendo Heidegger na cafeteria. Gosto de me ver como sendo intelectual parte do tempo em que circulo por aí, mas admito que algumas vezes o que me motiva são coisas bestas, e este filme me motivou a ler Heidegger. Hoje tenho um interesse autônomo pelo autor, bem como um interesse autônomo por este filme. E então vou conquistando minhas autonomias na vida, este grande roda cheia de pedras que vai girando e girando, e nos polindo, ou para muitos, apenas nos destruindo. Pensar em possibilidades metafísicas para ela pode ser uma salvação para continuar sorrindo todas as manhãs, não descarto esta atração pelo oculto, mas nos dias em que estou bem prefiro me fixar em coisas mais simples, como as que o Troy fala ali em cima. Não sei se vocês conseguem acompanhar o meu pensamento, mas o caso é que normalmente nos fixamos nas coisas por alguma besteira, uma atração, um desejo que poderá não se transformar numa vontade, ou somente pois temos que arrumar algo para fazer entre as 7 da manhã e o horário em que desmaiamos de sono na madrugada. Mas acredito de verdade na conquista da autonomia. E acreditando nisso, também acredito nas coisas verdadeiras, as que se fixam em ti, ou as que te pertencem sem que saibas. Se encarada de forma tola, esta autonomia pode ser apenas um romantismo ou sentimentalismo, mas passa longe disso, acredite em mim. Quando você tem o prazer de descobrir por baixo das aparências algo que te conecta forte com um outro algo, fora de você, seja um cuidado sincero de um parente, seja uma risada desconcertante de um romance, seja o brilho de saber que é aquilo mesmo que queres fazer, ou seja a negação de uma oportunidade fabulosa em troca de uma certeza de que está fazendo a coisa certa, este prazer será verdadeiramente teu, e então podes voltar ao teu quarteirão com queijo ou o teu cigarro que acaba. Tudo acaba. Tudo já acabou. Seja na lógica da doutrina cartesiana ou experiência direta dos fatos. O que você consegue postular é um passado, mesmo que este esteja ainda no seu futuro. Isso não quer dizer que não exista ainda. Somos um rio de potências e de vivências, e estamos correndo, e morrendo. Então eu vou cavalgar na minha minha própria mortificação e rezar para que exista um estatuto de limitações sobre incidentes embaraçosos. Então o resto será de satisfações plenas, mesmo nas tristezas cotidianas que serei obrigado a lidar, como sempre fui, e como sempre serei. E você também, meu caro leitor.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Missa em Dor Maior.



Kyrie
Eu fui levado pelo vento ou o vento por mim foi levado?
Mãos que acariciam o livro escolheram o destino errado.


Gloria
Mas quem sabe qualquer algo sobre qualquer coisa daqui?
Pulinhos no estômago já surgem pela espera sendo forjada.


Credo
O que sonham os poetas nos sonos carregados de febre e neblina?
Fantasiam a ligação secreta entre amantes latinos e a sintaxe do latim.


Sanctus
Tua alma no real acalmará as impossibilidades da ingratidão?
Vermelhas rosas invadem as lápides frias de futuros invernais.
(Benedictus) Oração final para a sublimação da dança eterna.


Agnus Dei
Santo! Santo! Santo! Sento solitário e sinto o sino que não soa.
Acabam todos nesta vida entretidos com a esmola da carne das perguntas sem fim?

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Dichtung!



Dá a estética para à poética.
Não uma sem a outra,

Nem a outra sem a uma.
Mas sim — assim, A unidade.

n'liter aturas ser humano?

Ass.: Padre K. Goethe