segunda-feira, 11 de abril de 2011

Apóstrofo.

 
Rastejando entre as pessoas, quase ficas surdo com o choque dos homúnculos e dos anjos, aprisionados nestes corpos, alterando constantemente os seus papéis, sem esquecer que existe um universo todo dentro e fora de cada olhar em passos tristes voltando para casa.

Na ficção é mais fácil falar sobre o amor do que na fricção, o bloco de mármore pesa nas costas de todos os escritores de foto-novelas diárias, todos nós, macacos e cordeiros, se estamos vivos estamos fingindo, e se aceitamos isso, nos tornamos os seres mais honestos deste planeta.

Para existir algum julgamento moral é preciso do raciocínio, por isso gosto tanto dos bichinhos, eles não precisam ser honestos nem precisam esconder a suas mentiras, eles apenas estão ali, sentindo suaves seres corpóreos flutuando no espaço com suas patas e penas.

Não sabes aonde queres chegar, mas continua, que em algum momento algo vai aparecer para nos salvar, se vai ser uma bala ou uma iluminação, isso está na caderneta do destino. É nesta angústia que se fazem as mais rígidas ereções na vacuidade da mente e do corpo.

Quem poderá calar as lágrimas deste povo esquizofrênizado pelas sombras de algo que não existe mais, mas para aonde ainda levantamos as nossas mãos, aos gritos e orações, este povo que ainda nasce, cresce, reproduz e morre, este povo que habita o teu sangue?

Não sei aonde quero chegar, você não sabe quem eu sou, você só me vê passar por entre as pessoas, e o meu lodo se enrosca na tua asa, e a minha lira se cala com os teus ruídos, ouça, são estes os rangidos do futuro, e mortos ou vivos, escutamos surdos um suspiro profundo.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

É mais fácil.


É mais fácil conseguir um cigarro do que 30 centavos pro ônibus
É mais fácil conseguir uma olhar raivoso do que um sorriso
É mais fácil conseguir uma discussão do que uma argumentação
É mais fácil conseguir uma trepada do que um amor
É mais fácil conseguir uma briga do que um perdão
É mais fácil conseguir um trago do que um suco para o teu filho
É mais fácil conseguir um escravo do que um amigo
É mais fácil conseguir uma morte do que uma vida
É mais fácil conseguir um ditador do que um mestre
É mais fácil conseguir uma arma do que um abraço
É mais fácil conseguir uma guerra do que A paz

Até quando nesta vida as pessoas irão querer apenas o mais fácil?
Mas no final dizem que nada se altera, e estas são apenas escolhas.

domingo, 3 de abril de 2011

U O! U Ó!


Um pão mofado em cima da mesa
Olhar faminto de quem se importa
Um clique do abrir da porta
Opta pelo ronco na barriga da cabeça
Uma mão que avança como se estivesse salva
Os dentes sujos que mastigam sem mais pudor
Uivo de animal alimentado pelo finalmente
Ócio amargo e orquestrado instinto de horror
Usurpado da seu antigo status social
Ouve as derrotas nas ruas, pelas esquinas
Ultrajado herdeiro de uma importante família
Óbvio que em outra hora ele não teve nenhuma sina
Ultimamente invade lares para conquistar o almoço
O que será que será dele e de todos
Uns por aí no futuro sem certezas, mas de
Olhos presentes nesta nova consciência
Uma que está chegando, berrando bem alto
Ouçam, é o mesmo mundo, mas são outras as pessoas
Um pão mofado será colocado em cima da mesa
Olha, faminto, e não mais se importa