sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O Declínio da Civilização Simbólica.


Hoje em dia nossa realidade se baseia no princípio do pragmatismo, somente depois contamos com a experiência e com a execução de algo que se pode catalogar como algo bom ou mal, e partindo daí se decide se algo vai seguir como permitido pela sociedade. O pragmatismo se caracteriza pela insistência nas consequências como maneira de caracterizar o verdadeiro significado das coisas.
Precisamos de uma reinterpretação de conceitos culturais e religiosos para chegar novamente na sua verdade. O símbologo do dinheiro, a silhueta de uma AK-47, e outros símbolos de poder hoje em dia são tratados como símbolos de culto, e isso por muitas razões. O dinheiro, o símbolo do cifrão move o mundo moderno, representa todo um sistema de transação de mercado, e as pessoas se matam por ele. A AK-47 é a arma mais eficiente jamais criada pelo ser humano, é responsável por mais mortes do que a bomba atômica, representando também o poder da modernidade. Precisamos criar uma rede subversiva que tenha uma mentalidade nova e não fundadas em cima de conceitos obsoletos para uma verdadeira compreensão da existência.
Mudanças movem o mundo, e estamos estagnados numa aceitação do cotidiano como se fosse a verdade. Precisamos de uma revolução que nos lembre que somos apenas seres primitivos. Precisamos de alquimistas do novo tempo, este que não podemos mais escapar, este que não será vencido pelo poder que símbolos humanos ganharam em nossas mentes.
Como seres primitivos precisamos contar com nossos instintos para a sobrevivência. O óbvio triunfa pois é sinal de proteção. O óbvio não faz apenas as pessoas correrem do que as faz pensar e questionar a mudança, o óbvio cria uma irmandade em cima do senso comum. Uma das funções que devemos encorajar a humanidade é do desenvolvimento de uma individualidade multi-dimensional, aonde os significados serão pessoais, em favor desta individualidade se voltar ao lado primitivo de nossa alma, e então alcançaremos a percepção do que realmente somos.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Estupidez com diploma na parede.

É sempre estranho falar para as pessoas que estou em mais um curso universitário sendo que eu me considero antiacadêmico. Normalmente acham que isso é papo furado, que eu digo só para me gabar do meu suposto avanço no mundo do conhecimento, da tão desejada akadémeia, lugar aonde você abre os olhos, vive experiências novas, tem os melhores anos da tua vida. Babaquice! A academia hoje em dia, na maioria dos casos, é só uma linha de produção para te colocar no mercado de trabalho, pelo menos em nosso país. Pago uma rodada de suco para quem me provar ao contrário.
Faculdade, lugar bonito, você não mora mais com os pais, você tem a liberdade para estudar como e quando quiser, você pode até sair da sala para mijar sem precisar pedir para a professora. É uma evolução, pois ali você está para aprender, não para servir de escravo para satisfazer professores babacas que sabem mais do que você, ou pelo menos acham que sabem, certo? Então por quais motivos você continua servindo de escravo para satisfazer professores babacas que sabem mais do que você (ou pelo menos acham que sabem)?
No templo da mediocridade, mentes ocas são preenchidas de excertos de textos, nunca das obras originais, na integra. Aprendem a pensar pelas cloacas sujas dos professores, não por suas próprias mentes. O seu pensamento não vale nada, pois você ainda é um aluno, não tem a capacidade de um mestrando. Ops, nem um mestrando vale algo, pois ele não tem as capacidades de um doutorando, de um doutor, de um doutor com vários anos de experiência, de um doutor que escreveu um livro que ninguém leu (e ninguém se importa, a não ser na hora de dizer ‘ele escreveu um livro’).
Na universidade se aprende política, viva os movimentos estudantis. Novamente, babaquice! Barbudos reproduzindo ideias antigas, achando que mudam algo, não mudam nada. Quer mudar algo numa universidade? Pense por você mesmo. Ninguém precisa de macacos marxistas honrando bandeiras do DCE. Saiu da faculdade, tudo continua igual. E ali dentro, você está pois assim te permitiram. O poder vigente não gosta daquele que pode ser um contrapoder. O poder gera um poder contrário bem pouco nocivo para dar aparência de tolerância, de abertura de espírito, de grandeza de alma. Mas ele não tolera aquele que não gerou. Um verdadeiro saber é crítico. E não me venham dizer que é melhor fazer algo do que não fazer nada. Movimento estudantil é o mesmo que fazer nada. Fazer algo? Comece por você mesmo.
E começar por você mesmo também vale na hora de aprender. Sempre digo, o melhor da universidade contemporânea normalmente é a sua biblioteca. Autodidatismo é o melhor comprometimento com a sua formação. Sim, existem professores que mantém este comprometimento também. É preciso se recordar que o essencial se encontra na relação do professor com seu aluno. Existem também lugares sérios. Mas tenho medo sempre que passam a contar mais papéis do que ideias na hora de julgar alguém. Tenho medo de lugares aonde o que importa são notas, regras, moralidade transvestida de método de ensino, de exigências acadêmicas, de facilitações no aprendimento. De um lugar aonde são rígidos com as coisas erradas, e displicentes com o que realmente importa: o ensino, a aprendizagem, a pesquisa e a troca de informações e pontos de vista.
Onde a retórica é confundida com a vaidade do ‘eu acho, eu cobro, eu indico’.  Deveríamos buscar proporcionar um saber exigente ao maior número possível de pessoas, de todas as origens, sem distinção de classe, religião, sexo, idade, formação, poder aquisitivo ou nível intelectual. E, ao mesmo tempo, permitir a construção de si mesmo como pessoa livre, independente e autônoma. É para isso que foi criada a academia, não para formar máquinas que reproduzem conhecimentos simplificados de forma eficiente para melhor se apresentar no espetáculo que dirigem aqui fora.