terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Uma tarde no museu.



- Pra mim tudo isso é a mesma coisa!
Disse uma garota bem vestida para a sua provável irmã, no MASP. Olhar de desprezo foi a minha primeira reação, mas com a cabeça cheia de ensinamentos budistas baratos vindos dos livros do Kerouac, pensei:
“Allen, perdoa, ela não sabe o que diz.”
Certo, que melhor forma de causar amor nos pseudos cults de internet do que começar um texto criticando a massa citando o cânone do contra-canônico?
Continuemos, pois esta é apenas a minha crônica 001 de uma revista virtual, nada especial.
- O que você vê aqui?
Poxa, moço, custa ler as plaquetinhas? Ir a eventos de arte se tornou um programa de luxo para familias de todas as rendas e classes sociais, mas a entrada não é franca, bem como as intenções deste pessoal. Arte é sentimento, expressão, experimentação. Pessoas bonitas no museu experimentando a agitada vida do flaneur cultural urbano. Compre o ticket, ache sentido raso na viagem, e no final não se esqueça das lembranças vendidas a preços módicos na lojinha perto da saída. Obrigado, volte sempre para conferir a velha exposição que você já esqueceu que viu.
Exibições de quadros, esculturas, vídeos, fotos… E de olhares entretidos na busca do belo naquilo em que disseram a eles que aquele tal artista famoso fez, e por isso deveria ser apreciado, nas galerias, locais aonde se tornam mais cultos, no shopping, para serem mais chiques. Tudo a mesma coisa para muitos. Bem vindos ao novo século, eis o fast-food das tardes de domingo. Só cabe ao povo escolher o sabor de seu próprio ópio.