quarta-feira, 29 de setembro de 2010

"Absoluto" progressivamente.


Somos como tecidos
Puro linho branco
Sacudidos ao vento
Sopro do destino

Viver nos mancha a carne
Faço da experiência
O meu particular bordado
Traço fios de memória
Entre os recônditos da alma

Alguns me dizem
"Branco ou bordado
Tanto faz, tanto faz
Vamos todos desfiar
E morrer, fique em paz

Quero ser como um velhos
Um belos manto grego
Belo ao viver
Belo também ao morrer

Sabedoria é a minha beleza, queimar é o meu destino, quero definhar, desfiar, supotar o doce queimar e morrer,
mas belo, e traçado em fior de ouro e prata.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

João amava Teresa que amava João, no contemporâneo isso sim que é contracultura! (este é um título longo para um artigo curto)


Liberdade é um conceito que gera uma dificuldade de definição numa era de extremos como a nossa. Costuma se confundir muito os polos, e se assumir uma posição positivista em cima do que nos apraz em certos momentos.

Tentarei ser claro neste pequeno artigo sobre as relações amorosas entre humanos, começando por partir o que normalmente se situa como o contrário do ser livre, o ser dependente de contratos sociais.

Um contrato por base seria uma submissão a conceitos estabelecidos em comum acordo, quase visto como uma relação de posse. Costumamos estar entre a abertura e o trancafiamento. Que tal ver estes conceitos de forma mais ampla, como descomprometimento e zelo.

Quando se decide estar com alguém, buscar não ver esta compactuação como um estado de posse, mas sim como uma transcendência pessoal ao zelo a outro ser humano. Em termos mais práticos, monogamia não como posse, mas como aliança.

Contudo quando o homem situa o seu bem nos objetos externos, a imaginação "corrompe os cinco sentidos", e somos conduzidos a um estado hobbesiano de natureza, a um estado de competição culminando na guerra, o contrário do que se busca num bom relacionamento, baseado na confiança e na consciência do bem ao próximo.

Como defensor do egoísmo penso que esta virtude deve ser muito bem pontuada, pois às vezes algo que queremos leva algo que não queremos, e o dano poderá ser maior até para você mesmo.

Poderia se discutir as questões do desejos, mas qual o desejo maior, o de subverter o que se constrói, o palácio de cristal desta pequena entidade que se manifesta num suposto amor, ou a compreensão do próximo?

Desejamos mesmo algo, ou somos egoístas? Creio que muito se vê da segunda opção hoje em dia, mas eu como ser esperançoso na relação fiel ao outro gosto de fugir da descrença na cumplicidade, acreditando em liberdade sem traição, a liberdade mais suprema, aonde estás livre para estar com a outra pessoa.

No filme Magnólia temos o encerramento dado pela proposta 'se você quer estar comigo, esteja comigo'. Quando se forma uma aliança, mesmo não formalizada com alguém, se busca uma dedicação.

A destruição da posse seria justamente a liberdade, a liberdade de se prender em alguém. Somos racionais, a traição é puramente instintiva, queira chamar ela de sentimentos do momento ou desejos vinculados a um bem-estar. Neste caminho podemos defender o 'trair', mas também o 'assassinar'.

Quando se fere alguém, seja com uma traição sentimental, sexual ou apenas comportamental, perdemos o dom de sermos humanos, viramos oportunistas (por favor, não dêem peso a esta palavra aonde não existe peso nenhum, mas sim uma significação puramente ontológica).

Relações dependem de um limite, por mais ilimitadas que sejam, afinal, não podemos atravessar paredes sem destruir a sua base de alguma forma, e então novamente deixamos de ser humanos, e enquanto vivos infelizmente temos alguns limitadores, nem que seja a nossa paz de espírito, e acredito que quando se ama alguém, a nossa paz de espírito está diretamente relacionada com a paz de espírito do próximo, portanto o meu pedido não é nem reacionário, nem promíscuo.

Não venho aqui apresentar métodos a propôr-se um melhor relacionamento, apenas dar a minha visão sobre estas idéias, sendo, como o nome da coluna busca proscrever, culto e grosso (mas com afeto, este que defendo sempre).

Onde existe uma relação, ali ela existe para mim. A consciência é, em princípio, naturalmente, consciência do mundo consequente e sensível que nos rodeia, e consciência dos nexos limitados com outras pessoas e coisas, fora do indivíduo consciente de si mesmo.

Viva como quiser viver, mas não esqueça das alianças, estas que não datam posse, mas sim liberdade (esta que não é uma condição humana, mas uma busca constante nos momentos adequados, e um complacência ao inverso dela em outros).

Enquanto ser social, liberdade é algo que se conquista sem ferir o próximo, e neste caso o que os olhos não vêem, o coração uma hora irá sentir. Aprender a cuidar de quem se quer bem é algo difícil, mas não impossível.