quinta-feira, 29 de julho de 2010

En scena d'si enemas...


Amar é sair do cinema pensando em já voltar
Pela vontade de chamar a tua guria para ver aquela cena
Aquele diálogo
Aquele momento que te marcou
Durante a projeção.

É quando dividir a infecção do fotograma
Não se trata de uma opção
Mas sim uma necessidade tão grande
Quanto a necessidade de logo após a sessão
A levar para casa, e entre garrafas de vinho
Acariciar a sua alma e a sua vulva com ardor.

Amar não é aquilo que as figurinhas dizem
Nem sexo
Nem posse
Nem pose,
Mas sim um vírus que se manifesta entre os corpos apaixonados

E assim segue o compasso do nosso duo de jazz...

(dedicado a la blue sunflower.)

sábado, 17 de julho de 2010

Ser ou não ser.


Porque o mundo é palco, a vida é arte, e portanto não imitamos o Ismael Alberto Schonhorst, quando agimos da mesma forma que o Ismael Alberto Schonhorst, mas somos o Ismael Alberto Schonhorst . Imitar é ser. Eu, por exemplo, costumo imitar muito a minha própria pessoa, ou a pessoa que me habituei a pensar ser - que, vistas as coisas, não é mais que personagem -, o que acaba por se revelar tremendamente impertinente. As pessoas são infelizes porque não escolhem os melhores papéis. Acreditemos que qualquer papel está ao nosso alcance, que basta colocar a máscara, e que a máscara somos nós.

"Nada sou se não crio nada. O sentido da vida é a criação de coisas e momentos. Sejamos todos artistas!"
Ismael Alberto Schonhorst, o diletante...

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Clarividência preneumonitórax.


- A morte só pode ser enganada num jogo de xadrez nos filmes.
- Falas isso pois desejas encontrar honrar na tua própria queda.

Andavam juntos há muitos anos, sem saber aonde era a morada do Destino.

- O que seria uma queda de honra para você?
- Não sei – disse para Ele – Como eu poderia saber?
- Achei que de por andares com todos os seres vivos eras o maior dos sábios.
- Sabedoria não é uma metodologia, por isso não consigo me expressar aos vivos.
- Entendo. Então a tua sabedoria não é uma verdade?
- Não te ouço sempre que falas em verdades.
- Não me escutas pois estás sempre longe.
- Não estou longe, você que assim me vê. Estou sempre andando contigo, e sabes disso.
- Tem até uma música sobre isso.
- Você sempre colocando cultura no meio de assuntos sérios.
- Minha filosofia também não é só uma metodologia.
- Isso é o que você pensa.
- Isso é a mais clara das minhas verdades.
- Verdades. Verdades. Você sempre preocupado com as verdades.
- E você sempre sendo cético.
- Não sou cético, só penso que depois de tanto tempo comigo deverias se preocupar menos com as coisas. Quando você vai aprender a pulsar? O que te deixa mudo, meu amigo?
- O que me deixa mudo é o medo.
- Mas dizes para todos que guardas o medo no bolso esquerdo de tua camisa.
- E não minto. Só omito que por maior controle que eu tenha sobre os meus inertes pertences, não consigo deixar de me afetar por eles, e você sabe, o bolso esquerdo de minha camisa fica logo em cima de meu coração, e tenho medo da beleza pois sou cego.
- Você tem certeza que é de dentro do teu peito que está a pulsar o teu coração enquanto caminhas?

Chronos não obteve uma resposta, Ele já não estava mais ali. Impossibilitado pela dor de olhar para baixo, cantarola uma velha canção de liberdade e esperança, e sai dançado na beira do abismo, pois a sabedoria que ali dança tem os seus passos ecoadas no vazio, por mais abafada que tentativa saia.

A beleza do momento faz os olhos de Chronos se fecharem às lágrimas da sinceridade experimentada nos segundos que precederam o seu próprio tropeçar.