sexta-feira, 12 de março de 2010

Ondas Cotidianas.


Cena 1.

A fúria e a raiva.
De um romance desafogado.
Em plena metade da linha
Do teu horizonte.
Não vê que sou eu que tu vê.
Mas não sou eu mais quem te vê.
Na volta?
Vejo ela, que era você.
Mas se afogava e foi salva.
Por aquele que não mais te vê.

Intervalo.

Muda de canal que está chato.
Ter que ver tanto comercial.
Muda de companheiro que está chato.
Ter que comercializar tantos beijos.

Cena 2.

Helicóptero decolando.
Todo mundo para e olha.
Ora, bolas.
Lá se vai um viajante.
Se fosse meu amor,
Chorarias.
Como não sou,
Só olhas.

Desliga.

Tanta coisa chata acontecendo no mundo.
Tanto mundo falso tropeçando nos cadarços.
Que desligo ele. Assim, desligo.
E então eu ligo a TV do meu coração.
Olá, Ilusão!

terça-feira, 9 de março de 2010

Para ti (e para todos).


       Há o amor
Não há o amor neste 'mundo'
      Eu não sou deste 'mundo'
  Me há o amor

              Há o desejo
         Há só o dexijo neste deserto 'mundo'
De certo há o desejo também no meu mundo deserto
      Me dás o desejo

                  Há o destino neste 'mundo'?
           Não há o destino
 Mas eu faço do caminho
                       o destino no meu mundo
                  Há o eu destino meu querendo
                converger com o teu destino você

 Há a sorte
 Há a sorte neste 'mundo' e no meu e no teu
 Mas se formos esperar pel
      a sorte
      a sorte não há,
                        há somente
      a sorte da cômoda conforta hora dos outros
      a sorte não tua, conforta cômoda em que
               apóia uma face que não aponta a pró
  pria sorte. Quero ver o teu destino, ser parte
                                 do teu desejo, ofertar a
                                ti o meu
                                      teu amor, ser para ti
                                                   um lance de
        sorte.



Ou vem lá? Os que esperam. Sem viver. Morre-se...

segunda-feira, 1 de março de 2010

Manifesto da Surr-Sub-Urgência Literária.


Escreva como quem cospe para cima, olhando os respingos cairem nos transeuntes, e levando o que restar na própria cara, transmutado em ouro.

Escreva como quem come uma buceta e propositalmente deixa o pau escapulir para o cu da moça.

Escreva como quem dança no centro uma canção mexicana vestido de africano, e falando em dialeto tupi-guaraná.

Escreva como quem anda rebolando uma bunda que não é sua, vomitando um pensamento que não é seu, chorando um amor que não te deu.

Escreva como quem come lentilhas no café da manhã, panquecas no almoço, e uma leve salada de pólvora no jantar.

Escreva como quem olha através do próprio umbigo, pois assim durante os saltos no trampolim da vida fica mais fácil de olhar por baixo da saia das garotas virgens.

Escreva como quem desistiu de escrever, e só quer aproveitar a água de coco e as sobras frescas.

Escreva como quem esqueça...

Esqueça! Foda-se sozinha, realidade. Renego-te! Prefiro transar com a outra, a vida, e a gozar.

E depois do ato, exijo o direito de escrever como quem escreve um conto erótico para um site vagabundo, para um leitor desatento achar as melhores partes e acabar de vez com a masturbação.

Escreva como quem descarta um lenço na pós-punheta.

Protesto textos descartáveis, só pela vida, pelo escrever, pelo expressar, a rebeldia no representar. Manifesto o texto que pulsa como a vida, e como a vida, sem créditos e pontuação, assim acaba