quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Há! N' Anão.


Não há não para um anão que vive na Terra do Sim.

- Anão, mude pra Terra do Não.
- Há não lá?
- Há sim. Mas só pois estamos na Terra do Sim.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Mais T. Menos C.


Muita coisa! Pouco tempo?

Muita coisa? Pouco tempo.

Muita coisa. Pouco tempo! 

E cada vez tem mais coisas...
E cada vez tem menos tempo...

E cada vez muita coisa!
E cada tempo pouco menos...
E menos... mais... coisa... tempo...

E o tempo? Cadê as coisas?
Coisa que cadê! Que tempo! Menos...

Menos...
Mais...

E o tempo. E as coisas. E a exclamação. E a interrogação.

Só sei que cada vez tem mais coisas. Muitas coisas. E cada vez tem menos tempo. Pouco tempo.
Por isso te amo mais. Por isso rock'n'roll mais.
Por isso me preocupo menos. Por isso temos o blues, ao menos.
Te blues mais, que te amo, no pouco tempo que tenho, quero mais coisas, ao mesmo tempo, contigo.
Contigo mais coisas. Menos coisas. Mais tempos. Te respirar e só. Te transo e só. Conversamos e sóis.
E mais. Ter mais. Mais coisas. Menos tempo.





Muita coisa! Pouco tempo?

Muita coisa? Pouco tempo.

Muita coisa. Pouco tempo!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Entre os rins da esperança.


Sinto que estou me tornando maior
vida e conhecimento
lendo, experimentando, esperando e agindo
sempre crescendo, potenciais...

O problema disso é que quanto maior fico
maior fica também minha solidão
menor fica o meu preenchimento
preciso achar mais coisas para me completar

E as coisas não existem, não existem,
não existem, não existem, existem só palavras
reproduções de ideais que me completariam
idéias do que preciso, do que desejo.

Amor, momentos, risadas, motivos, mudanças,
choros, beijos, suor, viagens, textos, imagens,
movimento, sexo, bebida, comida, sussuros,
nascimento, expectativas, satisfação, morte.

Dizem que a única certeza da vida é a morte,
mas não creio nem que ela consiga me complementar
na verdade busco uma alma que me confronte
e confrontos que me venham com alma.

Cansei da minha poesia, quero sia, quero poe,
quero desfigurar as verdades, e quero uma só verdade
quero ser conservador e progressista, quero ser sim e não
sou brilhante carcaça, me falta somente a massa.

Boa noite, solidão!

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Carnaval.


A tarde chega enforcando os minutos em contínua expressão desapercebida por todos os que já desistiram de tentar rascunhar o inefável tempo. Olhos ainda cansados das labaredas de cores carnais que jamais imaginariam encontrar entre as dobras rotas das rodas que movem a madrugada.

Madrugada esta que fora pervertida ao ter o seu silêncio quebrado não por poesias de baixas mas sim por encardidas vibrações estabelecidas como necessárias neste período. Falaram para o triste senhor que procurava um sentido nisso tudo que este sentido estava no desapego que só chega para quem se entrega aos membranofones.

Mesmo depois do desassossegado sono estas palavras ainda não fazem sentido para os que, como o senhor experiência, se encontram descorados sentimentais durante esta tarde de verão.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Fases.


A face de antes.

A face de fotos. De expectativas. De visões. A face de imaginação. Suposições. Irrealidade. A face que mente. A face sem mente. A mente sem face. As palavras sem face. A face sem boca. A boca sem palavras.

A fascinante face.

A face que olha. Que investiga. Que espera. Que começa a ter palavras. Que tem boca. Boca com palavras. E a mente. A face que não mente. A mente que espiritualiza a face. O corpo que complementa a face.

A face doravante.

A face que se espera. A face que espera. As palavras que podem existir. A boca que complementa as palavras. O corpo que se espera. A face que dita o corpo. A mente que se quer ter sempre em face.

A face de antes. A fascinante face. A face doravante.

A face.

A face que vira texto. Que queima o texto. O texto que queima. O queimar da espera. Da esperança. Dos desejos. Das possibilidades. O texto que é queimado por isso tudo, e sai para queimar o mundo.

Em face (mentira? verdade?) vos digo - queime o mundo! - mas não queime a face. Pois a face... Ah! A face é fascinante, tanto quanto se esperava, quanto será, se possível, sempre que se esperar a face na minha face, doravante!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A Toca do Coelho.


[é sobre desejo. e sobre estar sem encontrar limites dentro de minhas formas. é sobre medo da solidão. é sobre se notar solitário e essa é uma verdade. e sobre encarar o desejo como se fosse uma figura clara à sua frente. e sobre perceber que um dia na sacada com o vento frio batendo e aquela aura de veludo aquela pele que só pode ser sentida queimando dentro de mim mesmo. e sobre aquele momento ser o mais belo. e eu me sentir aquele momento sabendo que não chego nem aos pés do que esta outra alma já é. e sobre esta ser apenas uma das verdades da noite. eu já fui as estrelas e me vi como buda, dois momentos diferentes entre tantos outros que estão alternando, uns mais fortes, outros mais fracos. no final eu me componho destas múltiplas personalidades que vou expressando em ritmo mais acelerado que um Corvette vermelho pela madrugada. eu me sinto como um cantor de jazz querendo saltar pela janela e meus dentes disformes se enegrecem na madrugada e na armação de meus óculos blues. e já estou em volta de uma canção divertida. vou me deitar mais uma vez para ver até onde vou chegar!]

Depois de ler este ensaio insolubre sobre o nada, Truman Capote virou para a repórter que ali esperava uma resposta, e esta foi:

- Isso não é literatura. Não é nem ao menos datilografia, como acusei meu caro Kerouac. É delírio de um vagabundo que se acha mais um bêbado iluminado não pelo álcool que não tomou, mas pela existência que lhe foi dada sem perguntar, e esta o fascina, por que não?

E o mais engraçado nisso tudo é que sou eu redigindo isso, e sou eu sabendo que Capote e Kerouac e [ ]'s e até mesmo este 'eu' que agora me explicito, sabemos disso tudo. Estou sentado numa roda comigo mesmo e eu me encaro sobre os diversos ângulos dos outros 'eu''s me encarando. Eis o tal ciclo?





desisto!


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Um cérebro cansado bebe o sono em altas dosagens irremediáveis. Quando percebe está acordado novamente, em outro lugar, com outras companhias. É Morfeus que agora te regala com piadas infernais e um índio nu te fala das belezas do céu da tua mente.

Acorda.

...é um novo dia aqui no mundo?